Nada sobrou de ti, nem a terra fértil
nem a perfeita inclinação da montanha
nem a fogueira que nos fazia de altar
nem o vale rubro como flores estivais
a luz branca cortada pela tua verdade
excretou-nos como ao êxtase do cosmos
nada se encontra, entre mim e o mundo
a margem, outra miragem, além do caos
nada sobrou de ti, nem a figura de um
ponto singularmente explanado, nem os
ditames de um rosto linearmente morto
haja coragem para avançar até à beira
afiada da costa e ver os restos secos
das vezes anteriores, ou para virar a
cara ao evidente, sobre ti já nada se
diz, nem o básico, que eras o meio do
grande evento, que debaixo do teu céu
nasceriam mundos, mas o teu olhar cru
fez que todos os pássaros se calassem
no âmago das divisões não há nada que
te arranque ao fundo, e quem irá amar
o próximo de ti em que te escondes, o
desfilar de figuras prossegue mas nós
silenciámos todo e qualquer manifesto
ninguém sobreviveu à fuga desenfreada
ninguém para relatar uma única sílaba
nem os que vão chorar sobre os corpos
derramados se lembrarão de quem foste
e nada sobrou, nem de mim, que era um
fenómeno reflexivo do que te escrevia
era a pureza ciclópica, decididamente
inadequada à ocasião, eu que lembrava
apenas o rudimento, como singular ave
que nunca morre mas, de ti, nem o som
permaneceu, de um nome ou de uma nota
como a forma circunscrita do pó evade
a via alternada, semi-apagada do chão
Mater Lacrymarum
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