escolhi a árvore mais grossa e cantei-lhe
enrolei os olhos até à nuca e separei-lhe
lentamente as cascas até às veias, abri-a
até toda a floresta se pintar de vermelho
cravei-lhe as unhas na cortiça e trepei-a
arranhei-me nos galhos e exaltei-me no ar
flamejante dos seus gritos, e a suavidade
dilacerante do orvalho entrou pelas peles
abertas, das serpentes adormecidas soaram
silvos e rugidos despertos, e na floresta
inteira estremeceu o pulsar da seiva fria
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