Introdução à Meditação

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Meditação é um termo que designa uma infinidade de práticas, tanto em contexto religioso como fora dele. Muito basicamente trata-se de uma forma de focar a atenção com vista a dominar os impulsos da mente - é um "virar-se para dentro" que produz resultados extremamente benéficos em todos os aspectos da vida.


As técnicas de meditação desenvolveram-se em todas as culturas embora as vertentes orientais provenientes do Budismo, do Yoga, do Tai Chi Chuan, entre outras, sejam, actualmente, as mais divulgadas. Este artigo é uma pequena introdução sobre o tema da meditação e deixará, inevitavelmente, muita coisa de fora. Não irei debruçar-me sobre as inúmeras tradições e técnicas mas irei antes procurar dar resposta a algumas perguntas e dúvidas mais frequentes, bem como deixar algumas dicas para quem deseja começar.

Para que serve a meditação?

Para responder a este ponto, começo por referir a primeira das Leis de Hermes "O Todo é Mente; o Universo é mental". Além de tocar questões teológicas e de cosmogonia, esta lei hermética refere-se também a algo muito básico, nomeadamente, ao facto de a nossa realidade não ser "algo em si mesmo" mas sim "algo para nós", de acordo com as nossas projecções mentais. Por outras palavras, a nossa realidade é, em grande parte, produzida por nós mesmos, pelo ponto de vista que escolhemos e pela qualidade das ideias que cultivamos. Posto isto, torna-se fácil compreender porque é que uma mente clara, disciplinada e liberta de impulsos inferiores traz tantas vantagens. As técnicas de meditação podem ser utilizadas para os mais diversos objectivos, desde a cura de conflitos, à elevação espiritual, à busca de conhecimento ou à melhoria geral da qualidade de vida.

Mente vazia e sem pensamentos

Quando se começa a estudar este tema, é frequente encontrar a indicação para "esvaziar a mente", "limpar a mente"... ora, quem já tentou alguma vez este exercício sabe que é muito difícil "não pensar em nada". Parece-me necessário explicar o que quer, exactamente, dizer "mente vazia de quaisquer pensamentos" - isto refere-se não a uma anestesia ou a uma anulação das ideias mas sim a uma limpeza progressiva de considerações, expectativas, paixões, memórias e julgamentos que associamos, por hábito, a todas as ideias que temos. Para ajudar neste processo são usadas diversas ferramentas como, por exemplo, mantras, posturas, técnicas de respiração, contemplação de cristais, construção de mandalas, entre muitas outras. Tudo isto são formas de canalizar a nossa atenção de forma disciplinada e de estabelecer um fio condutor a partir do qual se vão removendo, um após o outro, todos os acessórios que povoam a nossa mente. À medida que formos silenciando as "vozes" que ecoam dentro da nossa cabeça, podemos começar a observar as coisas com maior clareza, podemos prestar uma atenção mais lúcida a uma determinada questão ou, simplesmente, experimentar uma serena felicidade, libertos de conflitos e desejos.

Posições

Embora algumas posições possam parecer difíceis e complicadas, existem outras muito simples que se encontram ao alcance de qualquer pessoa. Existem muitas posturas tradicionais, entre as quais a conhecida posição de lótus - corpo sentado, de costas direitas, o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda - é a forma mais bem conhecida e que imediatamente se associa à prática de meditação (imagem acima). No entanto, esta é uma posição que poderá causar desconforto, sobretudo a quem não está habituado. Outras opções mais fáceis são a posição japonesa - corpo ajoelhado, costas direitas e tronco apoiado sobre os calcanhares - ou até mesmo uma posição deitada, conforme o mais indicado para cada situação. O que importa e não pode ser descurado é que o corpo fique estável, bem alinhado e confortável.

Tempos

Quem vai iniciar-se na prática da meditação poderá começar com exercícios de 10 a 15 minutos. Com o treino, este tempo irá alargar-se progressivamente e sem esforço. De início, poderá parecer difícil manter a imobilidade e, sobretudo, manter a atenção focada num único ponto, porém, rapidamente se começam a notar os efeitos e descobre-se que esta disciplina é puro exercício da vontade, facilmente assimilável. Um praticante experiente não terá a menor dificuldade em permanecer em meditação por várias horas.

Um esquema simples

Como dito acima, as formas e técnicas de meditação multiplicam-se até ao infinito, pelo que o exemplo que se segue não é, de modo nenhum, um modelo geral. Trata-se de um exercício muito simples que poderá ser útil num primeiro contacto com esta prática e que oferece possibilidades de aplicação no dia-a-dia:

1 - Vista roupa confortável, descalce os sapatos e adopte uma posição sentada, com ambos os pés bem assentes no chão. Mantenha a coluna direita, os membros relaxados, os olhos semi-abertos e focados num ponto confortável.

2 - Inspire e expire calmamente, focando a sua atenção no ritmo da sua respiração. Concentre-se no ar entrando e saindo dos seus pulmões, sinta a energia que isso lhe transmite e relaxe.

3 - Sem quebrar o ritmo, dirija agora a sua atenção para o topo da sua cabeça. Visualize uma luz branca e brilhante. Concentre-se nela e sinta a sua energia a banhar-lhe o corpo. Aprecie o esplendor dessa luz.

4 - Dirija agora a sua atenção mais para baixo, ao nível do chakra frontal (a meio da testa) e visualize uma luz violeta. Sinta o seu rosto, olhe mentalmente para cada um dos músculos que o compõem, descontraindo-os, um após o outro. Sinta os seus olhos, os seus ouvidos, sinta toda a sua cabeça e percorra todos os pontos até à nuca. Relaxe e aprecie a descontração de toda a sua cabeça.

5 - Dirija agora a sua atenção até à sua garganta e visualize uma luz azul. Sinta a sua língua, os seus maxilares, os músculos do pescoço até aos ombros, as várias partes da sua garganta e vias respiratórias. Observe mentalmente cada ponto e descontraia-os, um após o outro, sem esquecer nenhum. Relaxe e aprecie o efeito.

6 - Dirija agora a sua atenção para o meio do peito, para o coração e visualize-o pulsando numa belíssima luz verde-esmeralda. Sinta a energia a irradiar para todos os pontos do seu corpo. Sinta o seu peito e a parte superior das suas costas. Percorra cada músculo, dedicando-lhe a sua atenção e descontraindo-os a todos, um após o outro.

7 - Dirija agora a sua atenção até ao plexo solar (zona do diafragma) e visualize uma luz amarela. Sinta o seu estômago, descontraia-o completamente e aprecie a energia que a luz amarela lhe transmite. Percorra atentamente todos os músculos abdominais superiores, os rins, o fígado, o baço, percorra a região lombar das suas costas até que tenha descontraído cada ponto.

8 - Dirija agora a sua atenção para a sua barriga, sensivelmente dois dedos abaixo do seu umbigo e visualize uma luz cor de laranja. Aprecie a vitalidade que essa cor lhe transmite e sinta-a espalhar-se por todo o seu ser. Observe mentalmente os seus orgãos reprodutores, a sua bexiga, os seus músculos abdominais inferiores e relaxe cada ponto. Aprecie a energia e a descontração de todo o seu tronco.

9 - Dirija agora a sua atenção para o chakra da raíz e visualize uma intensa luz vermelha. Sinta os seus intestinos, o seu ânus, a sua estrutura óssea, percorra cada músculo das suas nádegas e a parte superior das pernas, descontraindo cada ponto, um após o outro.

10 - Por fim, dirija a sua atenção ainda mais para baixo, para um ponto situado entre os seu calcanhares. Sinta os seus joelhos, as suas canelas, bem como todos os músculos e ligamentos até aos pés. Descontraia cada ponto. Visualize toda a tensão que possa ter sobrado no seu corpo em forma de fumo negro, escoando-se pelas solas dos seus pés e dirigindo-se para o fundo da Terra. Aprecie o estado de profundo relaxamento.

Este exercício é indicado como terapia diária anti-stress e para tonificar o corpo após um dia de trabalho. Poderá demorar mais ou menos tempo, dependendo da prática de cada pessoa. Depois de chegar ao passo 10 a mente estará bastante silenciosa, o estado meditativo poderá então ser prolongado pelo tempo que se quiser e que for conveniente.



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